Modernidade Sábado, Jan 7 2006 

Quando fui, quando éramos
Intactos projetos imaturos
Fomos modernos
Nos couberam ternos,
Gravatas e moldura
Cultura e inferno

Fôssemos eternos quando era primeiro
Primeiro e certeiro amor
Era indolor querer tudo
E íamos na vida a cada fome
A cada fama

Nos couberam ternos,
Gravatas e moldura
Cultura e inferno
Quando fui, quando éramos
Intactos projetos imaturos
Fomos modernos
Fôssemos eternos quando era primeiro
Primeiro e certeiro amor
Era indolor querer tudo
E íamos na vida a cada fome
A cada fama

E a grama era verde…
O nosso vale e os nossos mil metros de medo

Intactos projetos imaturos e modernos
Cultura e inferno
Fôssemos eternos
gravatas e moldura
ternos que nos couberam
Fôssemos eternos quando era primeiro
Primeiro e certeiro amor
Era indolor querer tudo
E íamos na vida a cada fome
A cada fama

E a grama era verde…
O nosso vale e os nossos mil metros de medo

Nosso vale e os nossos medos

[Composição: Cazuza / Graça Motta / Nelson Ângelo]

Livros Quarta-feira, Dez 14 2005 

Entrei em uma livraria essa semana, ela se chamava Hei de Escrever, era meio moderna e com prateleiras muito bem divididas por assuntos, embora esses assuntos fossem meio diferentes daqueles que estamos acustumados a ver.
Não continha Ficções, romances ou filosofias.
Entrei primeiro no corredor dos Lamentos e vi obras como “Esperavam que eu fosse, mas eu não fui”, era uma história muito revoltada sobre um filho cujos pais pensavam mil coisas dele e pra ele, mas ele por puro orgulho e tristeza não foi nada daquilo esperado… Ele foi muito mais do que esperavam , em todos os sentidos sejam bons ou ruins.
Outro livro me chamou muita atenção. Contava a estória de um adolescente apaixonado sempre pela menina errada, mas que pra cada erro escrevia um belo poema. Havia um livro muito grosso chamado “Montanha Russa de Sentimentos” , mas me deu um pouco de naúseas ao começa-lo a ler.
No corredor dos Grandes Amores, havia apenas um livro. chamado “Nossa História” e achei engraçado que a primeira frase era também a ultima que dizia “Parece que o destino das grandes histórias é ter um final banal”. E foi verdade a obra continha uma linda e perfeita Historia de amor que terminou de forma tão banal = ( banalissima pra dizer verdade…
Havia uma prateleira com livros muito bizarros, um em especial parecia sinopse de filme de terror , não tive a coragem de folhear ele por inteiro, mas no trecho que li o assassino tinha nas mãos a chance de matar quem era pra amar, mas preferiu deixa-la viver só pra vê-la sofrer… horrivel!
Outros continham trechos eróticos , alguns umas passagens liturgicas, havia um único e ralo livro sobre politica que pareceu-me pregar a anarquia, mas no final em sua última linha continha o termo “Teocracia”
Continuei a folhear muitos e muitos livros lendo sempre sua primeira linha e sua última frase.
Encontrei um muito triste que me encheu de profundo pesar, falava sobre Dúvidas e Certezas. Alguns poucos livros poderia considerar como romances, mas estavam classificados como Contos que nao Contam.
Livros com títulos estranhos que não me suscitaram mexer na prateleira mas cujos títulos trouxe comigo: “O Trigo, o joio e a mostarda”; “Ser ou Fui?”; “Participio perfeito”; “Principes”; “Uma utopia possível”; “Descaso”…

O velho senhor que nem mesmo levantou os olhos quando entrei na loja se dirigiu a mim e perguntou?

– Gostou de algum?
- De muitos senhor…
- Escolhes um e podes ficar como presente de natal.

Puxa!!! e agora, como escolher entre tantos livros que me chamaram atenção???
Sugeri que ele o escolhesse… o velho sorriu e puxou um livro e ainda sorrindo me entregou. Eu lamentei pois o achei tão banal, o velho notando meu desdém, disse:

– De todos os livros somente esse não te frustraria, qualquer outro tu irias odiar.
- Porque? perguntei curioso.
- Todos os demais livros que tu folheaste não foram terminados … o meio quase todo esta em branco, mas como tu olhas somente o inicio e o fim, pensou que estivessem completos. Somente esse está completo.

Peguei alguns livros e os abri no meio, e não é que o velho estava certo, as folhas estavam quase todas em branco, embora eu olhasse e pudesse entender tudo que o livro quisera expressar.
Então perguntei:

– Porque só esse está completo?
O velho novamente sorriu.
- Ele também não esta completo meu jovem, ele não está… O que se lê nele foi o que aconteceu… mas notas as ultimas 4 folhas?
- Sim – haviam 4 folhas brancas depois da última frase.
- Nelas Tu escreverás o que há de acontecer.

Fui embora com o livro na mão.
Li e reli várias vezes e embora vibrasse no meio sempre me frustrava ao final…
E as vezes, só as vezes eu lembrava que ainda restavam 4 folhas em branco.
Eu poderia usa-las para anotar telefones de mulheres que conheci por ai
ou pra fazer meus cálculos de quanto devo a alguém…

Aquelas ultimas 4 folhas …
Eu poderia escreve-las
Eu posso escreve-las
E me pergunto se Eu Hei de Escrever.

Ou seja! Quarta-feira, Out 26 2005 

Certa vez li em um livro no meio da aula de Português:

- Um chapéu na cabeça de um camponês é um simples utilitário de proteção contra o sol, sobre a cabeça de uma dama é um adorno, na fronte de um cardeal, simbolo de poder, na mão estendida de um mendigo quer dizer pedido de auxilio.
Ou seja o significado é definido por quem age!!!”

- Fumar um cigarro na poltrona do escritório indica superioridade, no voltante do carro, extravagancia, no quarto do hospital, desrespeito
Ou seja o lugar interfere no significado.

Nas palavras, como na moda abserva-se a mesma regra: Sendo novas ou antigas demais são igualmente grotescas.
Ou seja não seja o primeiro a experimetar, nem tão pouco o ultimo.

Tem pessoas que precisam aprender isso

Remake Quinta-feira, Set 29 2005 

As histórias se repetem
parece tudo o mesmo filme
só que com nova roupagem

um remake


Muda um detalhe aqui, um figurante ali… o nome do personagem
mas o sentimento parece ser o mesmo!

Sabe, não me agrada saber que amigos estão passando pelo que passei.
Esse tipo de dor nem um suposto pior inimigo merece.
Ai vem vontade de se separar do mundo terreno, depois uma incrível vontade de viver a vida como se ela nao tivesse conseguências… e depois disso uma crise.
E saudade…

ou seria maldade?

Não … ninguém dos que prezo merece isso
e eu daria meus rins pra não deixar isso acontecer.

Já dizia Renato Russo na canção que eu queria ter escrito:

E tudo passa, tudo passará…
[porque] nossa história não estará pelo avesso assim
sem final feliz
teremos coisas bonitas pra contar
e até lá, vamos viver, temos muito ainda por fazer
Não olhe pra traz, apenas começamos.
O mundo começa agora.
Apenas começamos”

Saudades Dela Domingo, Set 18 2005 

As vezes me bate uma vontade de te ligar, de te falar
ou simplesmente te olhar.
Busco respostas , uma explicação pra tudo o que se passou.
Mas ai me lembro da sua certeza, da sua decisão
que afinal nos separou.

será que você já se esqueceu?
Ou será, que assim como eu
procura simplesmente não pensar
pra poder não recordar
sem dor
nem amor
só com saudade.
Os nossos momentos de felicidade
quando teimávamos em nos iludir
achando que tudo era para sempre.
Só se fosse em JesuS

Maturidade II Sexta-Feira, Set 16 2005 

Eu queria estar com alguém. As vezes queria que um certo alguém estivesse comigo. Outras invejo quem tem alguém, nunca quem tem algo.
Porque o algo eu consigo, mas o alguém…

… do alguém eu desisto.

Maturidade I Quinta-feira, Set 15 2005 

A maturidade cobra caro e não sei se estou disposto a pagar.

Tenho 27 anos, sei muito de muitas coisas, tenho um diploma superior e outro à caminho, tenho um bom emprego e só.
Mas isso não me torna melhor, pelo contrário, isso coloca sobre mim maior cobrança…
…de mim mesmo.

Eu poderia ser mais
eu queria ser mais
eu queria ter mais.

Espasmos Quarta-feira, Jun 15 2005 

“Ninguém me garante que eu vou ser feliz, mas ninguém me impede de tentar sê-lo”
Cicatriz – Lulu Santos.

De todos espinhos que me furaram, somente um não foi arrancando das rosas que te daria.
E é esse espinho que hoje me maltrata.

Inveja - Desagrado diante das conquistas alheias.
Dependendo da intensidade resulta no esforço para priva o alvo daquilo que possui.
Definitivamente minhas invejas não chegam a esse ponto.

Ciumes - Desejo egoista acompanhado de suspeita e
ressentimento ou ainda medo de que alguém queira roubar aquilo que considera seu.
Definitivamente, eu sou MUITO ciumento, com TUDO e TODOS.

Inclusive…

“A Dª. Distância no passado me fez um Reencontro virar numa bela e banal história de amor.”
E agora num Encontro, o que ela vai me fazer???

Entender (um dia consigo) Domingo, Mai 15 2005 

Quero entender porque nada deu certo entre nós
E mesmo ciente que o erro foi seu
Porque quem sofre sou eu?

Quero entender porque tudo mudou entre nós
Parece que só tenho força quando eu sou o mau
Isso não é normal

E eu quero de volta
O que nem cheguei a ter
a não ser promessas
…Todas quebradas (é isso que machuca?)

Quero entender porque nada mudou entre nós
Parece que só tenho força quando eu sou o mau
Isso não é normal

E quando eu penso que esqueci
Vem essa lembrança (ruim?)
Que me torna jocoso
Como uma droga que te deixa contente e depois te rouba o bem estar
Te deixando uma ressaca moral, espiritual e física.

Decididamente: pensar em você me faz mal, mas é tão gostoso.

Final banal Sexta-Feira, Mai 13 2005 

“Parece que o destino das grandes histórias é ter um final banal”

E me apropriei dessa frase com tanta vontade
e me cabe com tanta propriedade
que se ela ouviu, ela lembrou de mim e tal como eu pensou:

Eis o título do livro.
Eis a primeira linha
e a última frase.

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