Entrei primeiro no corredor dos
Lamentos e vi obras como
“Esperavam que eu fosse, mas eu não fui”, era uma história muito revoltada sobre um filho cujos pais pensavam mil coisas dele e pra ele, mas ele por puro orgulho e tristeza não foi nada daquilo esperado… Ele foi muito mais do que esperavam , em todos os sentidos sejam bons ou ruins.
Outro livro me chamou muita atenção. Contava a estória de um adolescente apaixonado sempre pela menina errada, mas que pra cada erro escrevia um belo poema. Havia um livro muito grosso chamado
“Montanha Russa de Sentimentos” , mas me deu um pouco de naúseas ao começa-lo a ler.
No corredor dos
Grandes Amores, havia apenas um livro. chamado “
Nossa História” e achei engraçado que a primeira frase era também a ultima que dizia
“Parece que o destino das grandes histórias é ter um final banal”. E foi verdade a obra continha uma linda e perfeita
Historia de amor que terminou de forma tão banal = ( banalissima pra dizer verdade…
Havia uma prateleira com livros muito bizarros, um em especial parecia sinopse de filme de terror , não tive a coragem de folhear ele por inteiro, mas no trecho que li o assassino tinha nas mãos a chance de matar quem era pra amar, mas preferiu deixa-la viver só pra vê-la sofrer… horrivel!
Outros continham trechos eróticos , alguns umas passagens liturgicas, havia um único e ralo livro sobre politica que pareceu-me pregar a anarquia, mas no final em sua última linha continha o termo
“Teocracia”…
Continuei a folhear muitos e muitos livros lendo sempre sua primeira linha e sua última frase.
Encontrei um muito triste que me encheu de profundo pesar, falava sobre
Dúvidas e Certezas. Alguns poucos livros poderia considerar como romances, mas estavam classificados como
Contos que nao Contam.
Livros com títulos estranhos que não me suscitaram mexer na prateleira mas cujos títulos trouxe comigo: “
O Trigo, o joio e a mostarda”; “Ser ou Fui?”; “Participio perfeito”; “Principes”; “Uma utopia possível”; “Descaso”…
O velho senhor que nem mesmo levantou os olhos quando entrei na loja se dirigiu a mim e perguntou?
– Gostou de algum?
- De muitos senhor…
- Escolhes um e podes ficar como presente de natal.
Puxa!!! e agora, como escolher entre tantos livros que me chamaram atenção???
Sugeri que ele o escolhesse… o velho sorriu e puxou um livro e ainda sorrindo me entregou. Eu lamentei pois o achei tão banal, o velho notando meu desdém, disse:
– De todos os livros somente esse não te frustraria, qualquer outro tu irias odiar.
- Porque? perguntei curioso.
- Todos os demais livros que tu folheaste não foram terminados … o meio quase todo esta em branco, mas como tu olhas somente o inicio e o fim, pensou que estivessem completos. Somente esse está completo.
Peguei alguns livros e os abri no meio, e não é que o velho estava certo, as folhas estavam quase todas em branco, embora eu olhasse e pudesse entender tudo que o livro quisera expressar.
Então perguntei:
– Porque só esse está completo?
O velho novamente sorriu.
- Ele também não esta completo meu jovem, ele não está… O que se lê nele foi o que aconteceu… mas notas as ultimas 4 folhas?
- Sim – haviam 4 folhas brancas depois da última frase.
- Nelas Tu escreverás o que há de acontecer.
Fui embora com o livro na mão.
Li e reli várias vezes e embora vibrasse no meio sempre me frustrava ao final…
E as vezes, só as vezes eu lembrava que ainda restavam 4 folhas em branco.
Eu poderia usa-las para anotar telefones de mulheres que conheci por ai
ou pra fazer meus cálculos de quanto devo a alguém…
Aquelas ultimas 4 folhas …
Eu poderia escreve-las
Eu posso escreve-las
E me pergunto se Eu Hei de Escrever.